Plana como uma imensa folha de papel e castigada pelo sol escaldante nos longos meses de verão, a Puglia é a resposta italiana ao Vale Central californiano…

Para os viticultores a vida é fácil: a chuva obediente cai apenas no inverno, muito após a colheita; há abundância de vinhedos antigos e não irrigados de cepas locais; os frutos amadurecem plenamente, com pouca variação anual; e as terras custam 1/10 do valor das terras no norte do país. Com vantagens tão óbvias, não espanta que os maiores produtores italianos, possuem sua base na região.

Apesar dos benefícios naturais da Puglia, até bem pouco tempo os vinhos produzidos na região eram de baixa qualidade. Diversas gerações de vinicultores desperdiçaram o potencial deste paraíso com técnicas ruins. A Puglia sozinha produz mais vinhos do que qualquer outra região da Itália. Isso significa que 14% de todo vinho italiano sai da região.

A Puglia renasceu nos últimos 20 anos. Dois fatores foram fundamentais nesse renascimento: Primeiro foram feitos muitos investimentos externos via subsídios da União Europeia e da iniciativa privada. Segundo novas ideias de enólogos independentes do Novo Mundo, conseguiram melhorar a qualidade do vinho na região.

O conceito de Terroir está muito vivo na Puglia, e o número de 25 DOC’s acaba agradando todos os gostos. O norte da Puglia faz divisa com a Itália Central, onde são produzidas a Trebbiano, Montepulciano e Sangiovese. Mais ao sul começa a Península de Salento onde reina a variedade Negroamaro. Porém existe uma variedade que vem desbancando a Negroamaro, a Primitivo. A variedade Primitivo é clone da Zinfandel californiana, e o seu sabor de geleia rendeu ascensão meteórica. Os melhores vinhos com esta variedade são os Primitivo de Manduria.

Desde 1990 a Puglia procura priorizar a qualidade ao invés da quantidade, e hoje junto com a Sicília, formam as mais recentes descobertas vínicas do país, e possuem uma inigualável combinação de qualidade e valor.